Formação jovem “Estudar não é algo negociável”.
Especialistas em Educação Marcos Meier realiza palestra em Jaraguá do Sul com dicas para os pais, filhos e professores.

O desafio de educar vai além da formação clássica das disciplinas escolares ou das orientações básicas de como devemos tratar as demais pessoas. A educação deve atingir também a formação emocional da criança e jovem. O psicólogo e mestre em Educação Marcos Meier, palestras hoje em Jaraguá do Sul, em evento promovido pelo Colégio Marista, onde falará sobre como os pais e professores podem transformar crianças e adolescentes em adultos com maturidade emocional em meio à sociedade da tecnologia, do consumo e da satisfação imediata do prazer. Meier é especialista na teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva de Reuven Feuertein, conhecida como Teoria da Mediação da Aprendizagem, professor de Matemática e Psicólogo.

Nesta entrevista ao jornal O Correio do Povo, Marcos Meier comenta algumas temáticas que serão abordadas na palestra de hoje á noite, às 19h30, no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul (Cejas). Os ingressos custam R$15 (pais e alunos do Colégio Marista) e R$20 (comunidade). Informações: 3371-0313.

O Correio do Povo: Qual é o perfil do aluno de sucesso?
Marcos Meier: O aluno de sucesso é aquele que estuda, por conta própria, quatro horas ao dia. Mas, para que isso aconteça,é preciso criar hábitos. É aí que entra o papel da família. É preciso que o pai e a mãe definam um horário específico de estudo para os filhos que vai além do período que eles passam na escola, na seguinte medida: se a criança está na 8a série, estuda uma hora por dia em casa. No primeiro ano, duas horas e assim por diante, até chegar ao terceirão, quando esse adolescente estudará quatro horas por dia.

OCP: Como convencer a criança e o adolescente a estudar todo esse período?
Meier: É preciso mostrar para eles que estudar não é algo negociável. É preciso cobrar até que a prática se internalize e se transforme em hábito. Uma vez virando hábito, acabam as cobranças, aquela chatice em cima do adolescente. Mas não tem jeito. O hábito apenas se constrói se o estudo for cobrado no mesmo dia e no mesmo horário. Cabe aos pais cobrar e não deixar se levar por argumentos como: “Mas a professora não passou a lição de casa”. Não tem lição, não tem problema. Pode-se estudar outro conteúdo ou aproveitar o momento para a leitura,a literatura ou para os estudos teóricos. É isso que torna um adolescente um aluno de sucesso.

OCP: Onde os pais mais cometem erros?
Meier: O grande erro dos pais é prometer prêmios ao final de cada ano letivo, para o filho que é aprovado. Por exemplo: ‘se passar vai ganhar uma viagem’. Isso é um erro muito grave. O aluno que recebe esse prêmio no final do ano criando um círculo vicioso e pensando “lá no final do ano eu me esforço”. Esse pensamento faz com que ele se esforce adequadamente. É o hábito de estudar todos os dias e o acompanhamento diário dos pais que tratará o sucesso para o adolescente.

OCP: Quais são os valores educacionais que contribuem na formação do cidadão para o mundo, que deve permanecer em evidência e que são cada vez mais aceitos na sociedade?    
Meier: Outra característica do aluno e futuro profissional bem sucedido é que eles cresceram aprendendo a cultivar bons valores, tais como honestidade, caráter, responsabilidade, respeito ao próximo e sabendo utilizar aquelas três palavrinhas mágicas: com licença, obrigado e, por favor. Atualmente, uma das maiores reclamações das empresas é que o novo funcionário não tem inteligência emocional, não sabemos lidar com as adversidades. Ele critica, briga e, ao invés de assumir o erro e pedir desculpas, é arrogante. É a falta de inteligência emocional que acarreta tais reações.

OCP: Como fazer para que a criança e o adolescente cresçam com a inteligência emocional?
Meier: As crianças e adolescentes adquirem a inteligência emocional quando os pais, desde pequenos, sabem elogiar e também criticar os filhos. Nas décadas de 1960 e 1970, criou-se uma onda de que não se podiam criticar os pequenos porque os traumatizaria quando os adultos. Isso foi um grande equívoco. É preciso criticar, pegar no pé, mostra o erro e mandar fazer de novo. Apenas assim a criança vai aprender a lidar tanto com a parte boa quanto com a parte ruim. Tudo isso irá ajudar a criança a desenvolver uma autoestima saudável e a resistência à frustração, formando a inteligência emocional. Ajudar nas atividades domésticas também é importante. Num primeiro momento isso pode até parecer trabalho infantil. Mas, ela aprende aquilo ali é trabalho e respeitar a quem trabalha. Aprende a respeitar a mãe, a empregada a zeladora da escola, a professora. As crianças que não desenvolvem esse tipo de respeito, acabam discutindo, entrando em conflito, e não construindo amizades. Sem amigos a pessoa acaba não tendo uma percepção do que ta fazendo e sem isso não amadurece.

“É preciso criticar, pegar no pé, mostrar o erro e mandar fazer de novo.
Apenas assim a criança vai aprender a lidar tanto com a parte boa tanto com a parte ruim”.
Marcos Meier; mestre em Educação.

OCP: Como construir a inteligência emocional e uma auto-estima saudável em meio a uma sociedade cuja satisfação do prazer está imediatamente ligada ao consumo?
Meier: Esta é outra questão. Se você der, de imediato, tudo que seu filho lhe pedir ele não desenvolverá uma questão importantíssima que é adiar a satisfação do prazer. Se o adolescente estiver focado na satisfação imediata do prazer, ele terá problemas e não se esforçará tanto quanto poderia. Trabalhar, estudar, persistir, se dedicar as obrigações, essas práticas não costumam ser prazerosas, mas são necessários para a construção da vida.

OCP: O que é o auto-boicote e quais atitudes dos adolescentes podem ser identificados como tal?
Meier: O auto-boicote é uma questão mais complexa que significa o seguinte: quem não acredita em si mesmo acaba desenvolvendo um sentimento de culpa por série de coisas, como por não se achar inteligente ou por não ter esforçado e toda a culpa exige um pagamento. Como não é nada financeiro, este pagamento vem através do auto-castigo. O adolescente acaba se boicotando e quando esse está muito desenvolvido, acaba fazendo coisas com as quais não consegue crescer, se desenvolver, evoluir. Ele tem todo um mecanismo que o prejudica.

OCP: De onde vem esse sentimento de culpa do adolescente e como a sociedade age. Ela contribui com a existência desse sentimento ou ela ajuda a combater essas atitudes?
Meier: Esse sentimento de culpa é natural do ser humano. O que ensinamos ao adolescente é lidar com isso. O ensinarmos a perdoar as pessoas, aos outros aos pais. Quando ele aprender a perdoar a si mesmo, ai ele não precisa mais do auto-boicote é a dificuldade que o adolescente tem de admitir o erro.

OCP: As mídias sociais contribuem com a Educação?
Meier: Elas potencializam a comunicação do adolescente, portanto elas são a principio, produtivas. No entanto, tem um problema nessa constância. Se o adolescente só se comunica com os outros adolescentes via redes sociais e de forma virtual, o que o adolescente faz se ele tem uma pessoa criticando ou pegando no pé? Ele bloqueia, exclui e não aprendeu a lidar com as diversidades. Com esta atitude, o adolescente não aprendeu a conversar com quem tem opiniões diversas e acaba se transformando em uma pessoa auto-centrada, arrogante e prepotente por não desenvolver a comunicação saudável.

OCP:Como os pais devem agir diante das mídias sociais?
Meier: É preciso ensinar o adolescente a utilizar as redes sociais. O que postar, como não se expor e não estragar a sua privacidade quais cuidados são necessários. Por outro lado, o adulto precisa mostrar que é preciso aprender a conversar, a contrapor, trocar idéias com as pessoas que tem pensamentos diferentes.



Fonte: O Correio do Povo - http://www.ocponline.com.br/ - em 25/09/2012
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